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     "Vale a pena trabalhar em algo que você é bom, mas que não te dá prazer e aquilo perde a magia?"

Título original: Gathering Blue
Editora: Arqueiro
Número de Páginas: 192
Ano de Lançamento: 2014



    



     Da mesma forma de “O Doador de Memórias”, Lois traz uma crítica em seu livro, levando aos
leitores a reflexão não só do livro, mas de sua vida também. Sendo também um livro independente, podendo ser lido de forma única.

     A Escolhida conta a história de Kira, uma garota de duas sílabas. Na sociedade que foi criada pela autora, não existe mais as cerimônias para cada ano e a pessoa de torna um dois ou um três. Neste livro, as pessoas são divididas em sílabas, conforme vai crescendo, vai ganhando outras sílabas ao nome. Sendo até usado como característica de avaliação, como por exemplo: tem a inteligência de quatro sílabas. Todos recebem até no máximo quatro.

     Como no volume anterior, o governo é um governo ditatorial, bem autoritário. Juntamente com isso, uma sociedade que vive com regras. Sendo uma delas que uma pessoa não poderá ser um fardo para a sociedade em geral, ela deve fazer alguma coisa. Caso não consiga fazer por ter se machucado ou por nascer com alguma anormalidade, será levada ao Campo, onde existem feras, e abandonada. E nossa protagonista está designada a isso.

     Assim que Kira nasceu, foi perceptível a todos os presentes, que ela havia certa deformidade na perna, uma era maior que a outra, o que dificultava a sua locomoção. Logo após seu nascimento, apareceram na casa de Katrina, sua mãe, para levarem sua filha, mas com esforço conseguiu deixa-la, prometendo que não seria um fardo para a sociedade.

     Cresceu aprendendo com sua mãe a arte do bordado, Kira trabalhava em um galpão de tecelagem como ajudante. Mesmo a mãe ensinando a filha, Kira aprendia sozinha e sempre teve mãos para isso, sendo melhor que sua mãe.

     Chega um dia que sua mãe contrai uma doença e acaba morrendo. Como lei da sociedade, toda vez que alguém morre de alguma doença, o barraco da pessoa deve ser queimado. Kira ficando, desse modo, sem ter onde morar. Devido a algumas circunstâncias, Kira é chamada no Edifício de Conselho para um julgamento, feito pelo Conselho de Guardiões, e lá fica sabendo que será encarregada da tarefa que era de sua mãe, a restauração da túnica do Cantor, um trabalho muito importante na sociedade.

     Acomodada e morando agora no Edifício de Conselho, conhece Thomas, um garoto de duas sílabas, assim como ela. Ele é o encarregado da restauração do cajado do Cantor. Juntos, criam uma amizade. Com o passar do tempo e com acontecimentos, eles começam a perceber que nem tudo que é bonitinho, realmente é e que existem muitos mistérios por detrás de suas funções e do governo. Deixando uma questão em dúvida também. Vale a pena trabalhar em algo que você é bom, mas que não te dá prazer e aquilo perde a magia, fazendo você perder a magia?

     A diferença do primeiro volume é marcante e a meu ver a autora queria mostrar exatamente essa diferença de uma sociedade para outra. Mostra com mais intensidade os sentimentos das pessoas, as emoções, também as cores com as tinturas para tecelagem e até insetos e animais presentes, dando destaque para os mosquitos que estavam presentes em quase todo momento.

     A grande crítica desse livro é mostrar uma população pobre com condições miseráveis e como ela é movida pela violência, inveja e maus tratos envolvendo todos, cidadãos e pessoas do governo. Podendo ser levado em consideração também a questão do trabalho forçado.

     Sendo bastante previsível, a autora repete muitos elementos que seriam de “O Doador de Memórias”. Para quem leu os dois, sabe como funciona o esquema, é mais ou menos assim: existe a pessoa principal, algo relacionado ao governo acontece e essa pessoa fica sabendo que foi encarregada de uma tarefa de grande importância, quando começa a trabalhar nisso, conhece outra pessoa que é sábia e essa mesma pessoa começa a colocar questões na cabeça da principal, fazendo com que ela reflita sobre a sua sociedade.

     Assim como o primeiro volume, é um livro feito para se refletir sobre as questões impostas no livro. Não necessariamente tem que haver um final que seja surpreendente e espantador, porém nesse livro é um final sem sentido, não parece um final. Mesmo tendo bastantes reflexões, o doador mexeu muito mais com o meu emocional.

     Esse em algumas partes estava até sendo chato, mas o livro é válido pela crítica e pela reflexão imposta nela. E é desse modo que quero ler o próximo, por essa relação existente entre você e o livro, te levando muitas vezes a usar algo dali para o seu dia-a-dia.



     Uma sociedade sem lembranças, pensamentos e praticamente vontade. Um lugar onde não existe fome, guerra e nem desigualdade social. Será que vale a pena viver onde não há problemas, tendo que abrir mão dos seus sentimentos e emoções? “O Doador de Memórias” é o primeiro volume de uma série que tem o nome de “Quarteto O Doador”.

     Jonas, um menino de doze anos, vive em uma comunidade onde todas as lembranças foram apagadas e até as cores também. Nenhuma pessoa tem acesso a elas, apenas um ancião, o receptor, que fica encarregado de afastar todo o sofrimento que as memórias
trazem as pessoas. Ele recebe todas as memórias que existiram no mundo e ajuda os outros anciões em momentos que são necessários maiores recursos do que os que são fornecidos pelas memórias das existentes.

     Todo ano, em dezembro, é feito uma cerimônia onde às crianças passam de um nível a outro. A criança não tem 3 anos, ela é um 3, e a cada número que você sobe, é uma coisa a mais que você poderá ter ou fazer. Por exemplo, quando a criança vira um 9, ela ganhará sua bicicleta e poderá usa-la ou também quando um bebê está pronta para ter sua unidade familiar, ela se torna um 1 e começa a viver com aquela família que lhe foi designado.

     Se tornando um 12, Jonas está preocupado com qual será sua atribuição. Atribuições são trabalhos o qual a pessoa é designada. O governo analisa cada um durante seu crescimento e vê qual atribuição é melhor para cada um.

     O que me irritou muito foi o fato que haver uma regra pra cada coisa. Todas as manhãs, a unidade familiar se reúne para contar o sonho que tiveram. Também à noite, se reúne para falar qual foi o sentimento deles naquele dia. Fora regras de não mentir, não perguntar coisas aos outros. Mostrando ser um governo muito bem criado pela autora, pontinhos para ela.

     Na cerimônia, um por um são chamados e informados para qual atribuição foram selecionados. Todos são chamados, menos Jonas. Deixado por último, fica se perguntando se a algo de errado com ele, porém pelo ao contrario. Ele foi selecionado para ser o próximo recebedor, atribuição mais importante de toda comunidade.

     Logo depois, existe um treinamento para todos serem capazes de realizar a sua atribuição. Jonas conhece o recebedor, que se torna o doador, pois seu treinamento é receber as memórias e os sentimentos guardados pelo doador, mas de que forma? O doador passa suas memórias apenas pelo toque e Jonas não só tem uma lembrança, como a vivencia também.

     Agora chega a parte legal, vivenciei cada memória junto com Jonas. Ficava com vontade de saber qual era a próxima e quer mais e mais e fica se questionando de como será a próxima memória. Mas como nem tudo é um mar de rosas, existem lembranças ruins, aquelas de dor, sofrimento e guerras.

     Numa primeira avaliação do doador, achei que ele era chato e se achava melhor do que os outros, mas na verdade ele passa uma tranquilidade, é aquela pessoa que você sente vontade de estar com ela, muito, muito simpático.

     O desfecho foi muito, mais muito corrido. Eu via as páginas acabando e achando que meu livro estava com página faltando, pois não conseguia ver um fim naquilo. Mas a autora me surpreendeu e conseguiu colocar o final perfeito para o livro, temos que levar em consideração que não houve enrolações em nenhuma parte, tudo o que tinha era pra estar lá.

     A leitura é rápida, não por ser um livro pequeno, mas por causa de ser uma linguagem simples e de fácil entendimento. Dá aquela vontade de quero mais, e aquele desejo de o livro ter mais páginas só para demorar mais uns minutos lendo.

     Esse livro me fez questionar os meus valores, perceber a importância das lembranças e dos sentimentos, mexeu demais comigo. Acho que é um livro que deveria ser obrigatório todos lerem, se isso ocorresse acho que todos seriam pessoas melhores. Lembrando que não é necessária a leitura dos outros volumes, esse volume já tem todo o necessário para a história ser perfeita. Recomendo muito a leitura.